Toda vez que eu assisto filmes sobre o universo feminino e a maternidade eu fico extremamente feliz! Feliz, porque não me sinto sozinha e nem "louca". Feliz, porque sinto na pele como a vida não basta sem a arte. Feliz, pelo espaço que foi proporcionado para nossas vozes e realidade.
Lembro uma das primeiras vezes que senti tudo isso. Foi com um filme francês sobre o puerpério. Na época em 2012 não tinha streamings, a gente alugava filmes em locadora ainda. E uma colega da época esperta em internet que conseguiu baixar o filme e me passou em um pendrive. Eu ainda vou falar sobre esse filme. Acontece que estou revendo todos os filmes que já assisti sobre o nosso universo. Pois, agora sendo mãe e fotógrafa da maternidade entendo o porque sempre fiquei extremamente tocada com a arte envolvendo este assunto.
Hoje, vou começar com o filme que assisti ontem e ainda esta a flor da pele em meus sentimentos. Achei este filme, rodando e rodando a procura de um filme. Quando li a sinopse não tive duvida que seria ele. Que achado maravilhoso!
FILME: UM BILHETE PARA LONGE DAQUI

Este filme é sobre uma mulher, mãe de dois filhos bem pequenos ainda. É ela quem cuida de tudo na casa e na vida dos filhos enquanto o marido trabalha fora. Ele trabalha fora. Ela trabalha dentro. Aquele trabalho que nos foi totalmente destinado, que é invisível, não remunerado e nada valorizado. A atriz, Gemma Arterton (que mulher linda), interpreta de uma maneira tão real e angustiante o desespero que esta sentindo. Enquanto, ninguém parece perceber o que ela esta passando. O marido principalmente, acha que se ela é linda, tem casa, filho e dinheiro ela tem tudo, ela esta bem. As cenas de sexo entre eles é de arrepiar o estômago de qualquer mulher. Escancara o papel da mulher em ter que cumprir a tal das honras. A gente sente na pele a diferença brutal da necessidade do sexo para o homem. São cenas simples e tão reais. A cena do churrasco em que o marido proporciona na casa deles em pleno estado crítico dela também retratou como a vida muita vezes tapa o sol com a peneira nas questões femininas.
A tentativa dela se desabafar com a mãe também foi tão difícil. A mãe entende como uma fase e afirma você tem tudo, vai passar! Também é uma cena tão reflexiva de como as gerações passadas das mulheres entendiam seu papel e que muitas de nós lutamos para quebrar este ciclo.



São tantas cenas nesse filme que retratam a rotina de uma forma silenciosa e tão real, como as cenas quando ela faz compra de mercado, busca os filhos na escola, é cobrada por comida pronta e roupa limpa. É tudo tão realmente da rotina que eu fiquei pasma quando fui buscar a direção do filme. É um diretor homem gente! Dominic Savage. Ele é reconhecido por criar dramas intensos que exploram a vida contemporânea, muitas vezes focados na perspectiva feminina e social. Eu fiquei fã demais! E já estou a procura de assistir sua filmografia.
Bom, outras coisas que eu queria comentar sem dar tanto spoiler, desculpe mas contar sobre o filme é também uma maneira de assimilar tudo o que eu senti. O momento no filme que ela começa a tentativa de saber quem ela é sem ser mãe e esposa, escancara a falta da liberdade da mulher. E quando essa mãe resolve fugir, experimentar outras experiências, de alguma maneira me peguei a julgando ao mesmo tempo em que estava sentindo alívio. Não saía da minha cabeça o seguinte: Se fosse um homem, o pai, ele estaria fazendo tudo isso e de alguma maneira os julgamentos serial outros, ou nem teriam julgamentos.


E também foi tão certeiro do diretor, que no meio do desespero dela quem foi seu apoio foi outra mulher mais madura e com um diálogo tão honesto.

Enfim, que filmaço! Não consigo entender como não ganhou vários prêmios! este filme é de 2017 e esta disponível, não sei ate quando, no prime vídeo.
Mulheres, mães assistam e comentem aqui o acharam.
Com amor, Iza.